É a mulher que sustenta a família, é a juventude que quer ser presente e ter futuro, é o povo negro que quer ficar vivo, é a mãe que alimenta seus filhos quem mais sente o amargo e a dor do projeto em curso no Brasil e no Rio Grande do Sul. E é quem sente que tá na linha de frente no campo e na cidade. É nossa gente, é nós, tudo o que nós temos para retomar o Brasil, para fazer o Rio Grande presente e para escrever uma outra história no ciclo que se abrirá elegendo Edegar governador e Lula presidente.
Sofremos a perda da participação dos salários na renda nacional pela precarização do trabalho e o desemprego; a perda do poder de compra; a destruição dos serviços e das políticas públicas; a volta da fome; o desmonte do Estado e a venda das riquezas naturais. E neste Brasil que, mesmo antes da pandemia que destruiu mais de 600 mil famílias, tem como projeto de governo a fome e a morte da maioria da nossa gente, não será sem nós a reconstrução da democracia e de um projeto nacional de desenvolvimento inclusivo e garantidor de direitos.
Porque desde os ensaios da articulação ultraliberal com o reacionarismo que veio a eleger Bolsonaro (inaugurada no golpe à presidenta Dilma e na prisão de Lula) os movimentos de resistência a este Brasil que querem nos impôr são protagonizados por nós mulheres, jovens, povo negro e pela população LGBTI+. Porque derrotar o fascismo e reconstruir a democracia significa enfrentar a violência cotidiana que nos ameaça e mata 4 mulheres por dia e coloca a vida de um jovem negro 77% mais em risco nesse país. Porque reconstruir a democracia só será possível se nós formos também protagonistas das decisões e da história que queremos escrever com Lula e o reencontro do Brasil com o povo brasileiro.
Nas últimas eleições constatamos um forte movimento, um clamor de mudança no perfil das representações políticas, resultando na eleição de dezenas de mulheres, de jovens, do povo negro e de pessoas LGBTI’s em todo país. Movimento que pulsa, que seguirá porque nós viemos para ficar. No Rio Grande do Sul, um estado com características conservadoras, foi muito significativo ver se espraiar esta nova representação. Tenho orgulho de fazer parte desta construção vitoriosa, me tornando a primeira mulher negra eleita pelo PT em Porto Alegre, a vereadora mais jovem dessa legislatura e integrando a histórica Bancada Negra. Filha de uma trabalhadora doméstica e mãe solo, cotista formada pela UFRGS, municipária, fruto do projeto petista e dos nossos governos, fui a décima vereadora mais votada da cidade entre 800 candidatas/os.
Mas não cheguei na Câmara sozinha, trouxe comigo este movimento de renovação, fundado na história e nas lutas das mulheres e homens negros que vieram antes e com o compromisso de dar as mãos e puxar as que virão depois. Nossa estada no parlamento vem para abrir portas e contar a história de um povo que sofreu com o apagamento motivado pelo racismo e machismo estrutural, para trazer à ordem do dia as urgências da vida das maiorias do campo e da cidade. Nós queremos falar por nós, queremos estar no centro de um projeto de sociedade, preenchendo os vazios de políticas públicas pro nosso povo e disputando a agenda política e o modelo de desenvolvimento do Estado, fortalecendo o papel e o peso das mulheres e do povo negro.
Também cheguei à Câmara ao mesmo tempo em que me tornei mãe, com a chegada do Pedro. Vivi e vivo na pele as dificuldades enfrentadas por mães trabalhadoras que atuam politicamente para mudar nossa sociedade, com isso reforcei minha convicção da importância de estarmos nos espaços de decisão, de sermos muitas e estarmos juntas, porque se não estivermos, nossas demandas seguirão sendo consideradas secundárias.
E pelo que representamos querem nos interromper, mas não vamos sucumbir. Por esses passos, e pela contribuição que temos dado por meio do nosso mandato antirracista, feminista e popular, ao lado de mulheres e homens guerreiras/os que constroem nossa rede de treze cozinhas comunitárias em Porto Alegre, tenho me dedicado a dar centralidade à luta das mulheres e à pauta do maternar, à luta contra a fome e pelo direito à alimentação saudável, à defesa de políticas de geração de renda para as mulheres e o povo negro, ao fortalecimento de pequenos e médio empreendedores e agricultores, à defesa dos serviços e servidoras/es públicos.
Agora, queremos que essas pautas ocupem a Assembleia Legislativa, porque não será sem nós a construção do amanhã! Em 2022, mais do que uma eleição, o que está em jogo é o futuro dos nossos que podemos fazer hoje! Como diz Emicida, “Quem segura o dia de amanhã na mão?” Nós, colocando nossas lutas no poder! Junto de Edegar aqui e Lula lá, faremos o Rio Grande e o Brasil pra nossa gente!