Sobre a tática de frente ampla e a incorporação do PSOL/RS à aliança com Juliana Brizola

Circula nesta noite um documento, atribuído à deputada Luciana Genro, com ponderações críticas à alternativa do PSOL em compor o arco de aliança da pré-candidatura de Juliana Brizola ao Piratini. Diante do teor do texto e das referências feitas aos nossos processos internos, gostaria de tecer alguns comentários direcionados à nossa militância.

Sobre os processos internos do PT e a liderança de Paulo Pimenta

Recebo com estranheza a leitura apresentada sobre o PT/RS. Há anos evoluímos para um patamar de acúmulo partidário que transcende os debates internos das correntes. Nossos processos são intensos, extensos e abertos, mas resultam em posições de partido, e não de grupos.

A referência ao companheiro Paulo Pimenta no documento é, no mínimo, equivocada e injusta. Pimenta é uma liderança forjada na juventude, nos quadros combativos do partido e, sobretudo, é um militante leal que esteve ao lado do presidente Lula nos momentos mais duros da perseguição judicial e política. Ele não é expressão de uma “ala direita”, mas sim de uma tática de amplitude necessária para enfrentar o fascismo e reconstruir o Brasil. Não podemos confundir a construção de frentes amplas com rebaixamento programático.

A Política de Alianças e a Experiência da Federação

Nossa defesa da Federação (PT, PCdoB, PV) e da busca por um arco ainda maior com o PSOL não é um mero arranjo eleitoral. É uma estratégia inspirada em experiências internacionais bem-sucedidas, como a Frente Ampla no Uruguai, para consolidar um campo programático conciso capaz de enfrentar a extrema-direita e o ultraliberalismo.

Reconhecemos o esforço da liderança nacional do PSOL no diálogo pela federação. Inclusive, faço um exercício de realidade: se estivéssemos federados em 2022 no RS, teríamos eleito 9 deputados federais do campo progressista, e não 7 do nosso bloco mais 1 do PSOL isolado. A matemática eleitoral, neste caso, é também matemática política de fortalecimento da esquerda.

Neste esforço estamos desde 2018 de maneira intensa dialogando com setores que tergiversaram sobre o golpe contra presidenta Dilma, que apoiaram a lava-jato, que não se solidarizaram com a prisão ilegal de Lula. Não há como construir uma nova hegemonia democrática e soberana para o Brasil sem recuperar setores.

Não há tempo para divisionismo

Se há no PSOL a análise de que há risco de um segundo turno entre o neoliberalismo puro (Gabriel) e a extrema-direita (Zucco). Por isso mesmo, causa espécie qualquer movimento que, mesmo que involuntariamente, fragilize a única chapa competitiva para impedir esse cenário. Que é hoje a chapa liderada por Juliana Brizola!

Nossa tática é radicalmente comprometida com três objetivos centrais:

  1. A reeleição do presidente Lula;
  2. A eleição de dois senadores progressistas no RS, prioridade nacional para enfrentar a ofensiva golpista no Congresso;
  3. Derrotar a extrema-direita na eleição ao Governo do Estado em uma aliança liderada por Juliana Brizola.

A presença da pré-candidatura de Manuela D’Ávila ao Senado fortalece essa chapa. Nossa militância está entusiasmada com ela, e Pimenta é o primeiro a reconhecer a importância dessa dobradinha. A sinergia entre PT e PSOL no voto para o Senado é um patrimônio que não podemos desperdiçar com ruídos desnecessários.

Vaidades passam, a luta fica

O centro da nossa construção é derrotar o fascismo no Planalto e o neoliberalismo no Piratini. O movimento de apoio a Juliana Brizola unificou setores que estavam dispersos. Não é hora de apostar em narrativas de “faturamento” de base alheia ou em leituras que tentam reescrever a história recente das disputas internas.

Seguimos firmes: Bora reeleger Lula e levar o povo de volta ao Piratini! A história nos cobrará a grandeza, e não as rusgas do caminho.

Laura Sito
Deputada Estadual do PT/RS