A Rota de Afroturismo Sustentável do Rio Grande do Sul é uma iniciativa da deputada estadual Laura Sito, aprovada na Assembleia Legislativa em novembro de 2025. A proposta tem como objetivo estruturar um novo eixo turístico no estado, valorizando a memória negra, a cultura quilombola e as paisagens do Litoral Norte e do Litoral Sul, com foco no desenvolvimento sustentável e na geração de renda local.
A região contemplada concentra 38% das comunidades quilombolas do estado, segundo pesquisa da Emater, o que evidencia sua relevância histórica, cultural e social. Ao todo, a Rota do Afroturismo integra 10 comunidades quilombolas:
- Quilombo do Morro Alto
- Quilombo Costa da Lagoa
- Quilombo do Limoeiro
- Quilombo de Casca
- Quilombo dos Colodianos
- Quilombo dos Teixeiras
- Quilombo Capororoca
- Quilombo Anastácia Machado
- Quilombo Vó Marinha
- Quilombo Vila Nova
O que conhecer
Além das paisagens como dunas, lagoas e o encontro entre campo e mar, a região abriga vivências culturais das comunidades quilombolas e uma rica culinária tradicional. Também preserva manifestações como o Maçambique e a Folia de Reis, expressões afro-gaúchas que unem fé, música e ancestralidade.
A região também se destaca pela produção agrícola, especialmente arroz, cebola, pecuária e agricultura familiar.
Entre os principais pontos de visita estão:
- Morro Alto: Maquiné
- Lagoa da Pinguela: Osório
- Lagoa do Capivari: Capivari do Sul
- Lagoa do Bacupari: Mostardas
- Farol da Solidão: Mostardas
- Parque Nacional da Lagoa do Peixe: Tavares
- Bojuru: São José do Norte
- Estação Ecológica do Taim: Santa Vitória do Palmar
Como fazer a rota
O trajeto soma mais de 300 quilômetros, de Maquiné a Santa Vitória do Palmar. A recomendação é reservar de 2 a 3 dias para percorrer o roteiro com tranquilidade. Evitar períodos logo após chuvas facilita a circulação nas estradas de chão.
De Maquiné a Tavares, o percurso pode ser feito com carro mais alto. Os acessos ao Parque Nacional da Lagoa do Peixe e a Bojuru exigem veículo 4×4.
Os próximos passos
Por se tratar de uma política pública voltada à organização e ao fortalecimento das comunidades quilombolas, e por estar ainda em fase recente de desenvolvimento, a Rota do Afroturismo prioriza a construção coletiva e o protagonismo quilombola local. Por isso, não estamos indicando guias ou hospedagens específicas. No entanto, ao longo do trajeto, nas cidades que compõem o percurso, há hotéis, campings e pousadas disponíveis.
A proposta é que o próprio território conduza esse processo, respeitando sua autonomia e seu tempo de organização. Em parceria com o Governo Federal, as comunidades receberão, nos próximos meses, capacitação voltada ao turismo, com foco na qualificação do atendimento, na estruturação dos serviços e na ampliação das oportunidades de geração de renda.
